Descalvado Agora

A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA NA PREVENÇÃO DAS DROGAS

   É na família que a prevenção ao uso de drogas pode ser mais eficaz. Porem, o medo, o preconceito, a falta de intimidade com os filhos, a desinformação e muitas vezes até a hipocrisia impede uma conversa mais franca sobre o assunto. Sobram dúvidas e inseguranças para o adolescente, que se depara na escola ou entre amigos com o assunto para o qual não está preparado.  Mas a questão que mais aflige os pais é saber com que idade já pode conversar sobre drogas com seus filhos. O assunto vai surgir, senão em casa, entre seus colegas, e é por isso que, quanto mais cedo abordarmos o problema, melhor. Não adianta conversar com seus filhos se você não estiver preparado. Conheça os valores de seus filhos. Os valores pessoais, sociais e familiares do adolescente são muito importantes nesta abordagem. A interação pais/escola é muito importante e fundamental para saber como anda seu filho, suas atitudes, seu rendimento escolar, seus comportamentos e reações perante os problemas enfrentados. A revelação que o individuo está usando drogas raramente é feita por ele mesmo, pode acontecer por iniciativa de um terceiro, ou por um ato falho do próprio usuário, como por exemplo, esquecer a droga em algum lugar, ou um ato externo, como por exemplo, ter problemas com a policia. Tratando-se de adolescentes, os pais podem considerar mudanças de comportamento ao momento da vida em que o adolescente está passando e nunca pensar que pode ser consequência do uso de drogas. A família sofre frente à revelação do uso de drogas perante um familiar, e na maioria das vezes sente-se culpada. Não conseguem compreender e aceitar, que o uso de drogas é um sintoma de que alguma coisa não vai bem com a pessoa, ou mesmo dentro da relação familiar. Sabe-se que a dependência não se instala de repente, que não existe uma cura mágica, que não só o individuo precisará de tratamento, mas toda família, já que a família está presente junto com o individuo. Todos precisam de ajuda, de tratamento.  Independente do modelo de tratamento ao qual o individuo e a família sejam submetidos, é importante trabalhar as características individuais do dependente, as características da relação familiar, a relação individuo/família, enfocando sempre a necessidade da abstinência total, das mudanças de comportamento, hábitos, do estilo de vida, e com isso, prevenir a recaída. Muitos estudos demonstram a necessidade de compreendermos como e porque o fenômeno da dependência química pode repetir em outras gerações. Dentro da perspectiva familiar, podemos inferir que o comportamento do dependente é aprendido do mesmo modo que interfere fortemente nas pessoas envolvidas pela convivência. O exemplo disso, no caso do alcoolismo, foi observado que sua perpetuação pode estar associada à manutenção da identidade familiar, pois as famílias que possuem dependentes químicos são bastante particulares em razão de suas características incomuns, percebidas e vividas por todos os seus membros. Atitudes como “rituais familiares normais” muitas vezes ocorrem em torno do beber, o que interfere no desempenho normal da família. Geralmente, é desta forma que os filhos crescem num contexto cultural onde a bebida se torna parte de suas vidas. A mitologia familiar é, muito provavelmente, infestada de cenas relacionadas ao álcool. Os filhos podem permanecer imersos neste ambiente, inconscientes do que ocorre; podem repetir a identidade familiar, e, sem muito refletir, se casar com alcoolistas ou vir a ser um. O desafio destes filhos seria construir novos rituais e mitos familiares, abandonando os de sua família de origem, para, assim, desenvolver uma identidade familiar não – alcoólica como uma maneira de não perpetuar o alcoolismos.

  O PAPEL DA FAMÍLIA:

  • Cuidados básicos, afetividade e amor por parte dos pais;
  • Papéis bem definidos na relação familiar
  • Evitar adições sociais
  • Auxiliar no desenvolvimento da identidade pessoal
  • Apoiar e respeitar a individualidade
  • Conhecimento dos amigos e grupos sociais dos filhos (as)
  • Capacitar os filhos para suportar e superar pressões dos grupos sociais
  • Conhecimento sobre as drogas: suas características e consequências
  • Não se acomodar frente aos problemas
  • Entender sobre as fases da vida e dos momentos dos (as) filhos (as)
  • Diálogo
  • Reavaliar valores rígidos

Vale a pena complementar, conforme o quadro familiar presente, é indicado que o dependente receba acompanhamento individual e/ ou psiquiátrico individualizando garantindo, assim, a assistência à dependência química. Deve-se, porém tomar o extremo cuidado de não o manter num lugar ainda mais problemático. Por isso faça sua parte.

 

Referências Bibliográficas:

  1. SILVA, E.A. Abordagens Familiares J. Bras. Dep.Quim.,2(supl.1):21-24,2001
  2. CARTER, B., MCGOLDRICK, M. As mudanças no ciclo de vida Familiar: uma estrutura para uma terapia familiar. 2. Ed Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
  3. FIGLE, N.B. PILLON, SC. J, LARANJEIRA, R. Orientação familiar para dependentes químicos: perfil, expectativas e estratégias. J. Bras.Psiquiat., 48 (10), 471-478, 1999.
  4. FIGLE, N.B, BORDIN S, LARANJEIRA. R. Aconselhamentoem Dependência Química.ed.Roca,2004
  5. Landre. M. A Família do dependente químico. FEBRACT.

 

          ARTIGO: ANDRÉIA CASSIA ASSUNÇÃO – PUBLICITÁRIA

25 de maio de 2012Permalink Leave a comment

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