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Brasil e Mundo

Pesquisa da USP propõe aumentar impostos de alimentos engordativos

02/09/2013

Estudo sugere sobretaxar alimentos em 1% a cada 1g de gordura saturada.
Arrecadação ainda subsidiaria produção de frutas, legumes e cerais.


Assumidamente compulsiva, a fotógrafa Iza Ribeiro, de 24 anos, não consegue ficar sem doces um dia sequer e chega a acordar de madrugada para “roubar” um pedaço de pudim da geladeira. Ela conta que carrega sempre uns trocados na bolsa para comprar pelo menos um bombom depois do trabalho. “Depende do tanto de dinheiro que eu tenho na hora. Se a conta fica cara, eu compro menos e tenho que me contentar com umas balas.”

É justamente mexendo no bolso dos brasileiros que um estudo da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP em Ribeirão Preto (SP) propõe mudar os hábitos alimentares no país. A ideia é aumentar os impostos dos alimentos de acordo com o teor de gordura saturada – principal responsável por problemas cardiovasculares – e utilizar a receita arrecadada para subsidiar a produção de frutas, verduras e legumes.

O economista e pesquisador Rodrigo Mantaut Leifert explica que decidiu estudar o tema após observar que os índices de obesidade no país estão intimamente relacionados a hábitos alimentares ruins. Segundo a última Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), realizada pelo IBGE entre 2008 e 2009, cerca de 50% dos brasileiros e 48% das brasileiras acima dos 20 anos apresentavam sobrepeso. Uma em cada três crianças de 5 a 9 anos também estava acima do peso recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Leifert começou estudando o consumo de 12 grupos de alimentos diferentes, entre óleos, azeites, gorduras, carnes industrializadas, embutidos, laticínios e açúcares, como doces, sorvetes e chocolates. Após cinco simulações, concluiu que seria necessário aumentar os impostos em 1% a cada grama de gordura saturada presente no produto.
“Porém, só encarecer o preço não é única solução porque as simulações demonstram que certamente haverá substituição por alimentos com alto teor de sódio. Por exemplo, eu deixo de comer chocolate e passo a comer batata chips, que tem praticamente o mesmo preço”, explicou Leifert.

A partir daí, o economista também sugeriu que a receita obtida com os alimentos sobretaxados fosse repassada em forma de incentivos à produção de frutas, legumes, verduras, tubérculos e cereais – o que, pelos cálculas de Leifert, representaria um subsídio total de 15,2%. “Precisa fazer uma combinação entre tributo e subsídio para incentivar as pessoas a comerem mais fibras e vitaminas. As pessoas são sensíveis à mudança de preço”, afirma.

Menos doces
Essa, porém, não é a opinião da governanta Taciana Callil, de 33 anos, conhecida pelos colegas por estar sempre com uma barra de chocolate nas mãos enquanto trabalha. Ela conta que já chegou a gastar R$ 1 mil em doces durante uma viagem a Santa Catarina e diz não se importar com o quanto precisa pagar para ter sempre um doce por perto.

“Prefiro deixar de ter outras coisas para ter meu chocolate. É um prazer muito grande. Eu substituo meu almoço por uma barrinha de chocolate e uma fruta. Se ficar mais caro, deixo de comprar outras coisas, mas sem chocolate eu não fico”, afirma Taciana, que diz consumir quase 400 gramas do produto por dia.

Diante desse tipo de situação, o pesquisador explica que a intenção do estudo não é proibir o consumo dos alimentos considerados engordativos, mas forçar a população a substituir uma parcela deles por outros mais saudáveis. “As pessoas não vão deixar de comer chocolate para comer maçã. O objetivo é estimular a diminuição, para que haja mais qualidade de vida”, afirmou Leifert, destacando que são necessárias outras políticas aliadas à mudança de hábito alimentar.

“Só essa medida não resolve todos os problemas. É preciso incentivar a prática de exercícios e de outras mudanças na rotina da população. Mudar o cardápio é apenas o primeiro passo", conclui Leifert.

G1


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