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Pesquisa da Unesp de Rio Claro estuda uso de lodo como fertilizante

20/01/2014

Substância perde carga tóxica quando misturada ao solo, aponta análise.
Descoberta brasileira ganhou prêmio de Ministério na Alemanha em 2013.



Pesquisadores da Unesp de Rio Claro (SP) estudam o uso do lodo, sobra tóxica do tratamento de esgoto, como fertilizante na agricultura. Uma análise feita apontou que na mistura com o solo durante um ano, a substância perdeu a carga poluente. Em 2013, a descoberta ganhou um prêmio do Ministério Federal de Educação e Pesquisa na Alemanha para jovens cientistas do mundo.

Atualmente, Rio Claro trata 55% do esgoto gerado pelos moradores. Na estação ele passa por vários processos até que a água fique em condições de retornar ao rio. O problema é o que o lodo que sobra do tratamento é prejudicial ao meio ambiente.

“O lodo é o resíduo da estação de tratamento de esgoto, ou seja, é o mesmo que o esgoto no meio ambiente. Então hoje existe um cuidado muito grande com esse lodo nas nossas estações de tratamento, onde armazenamos ele, transportamos e dispomos em aterro controlado”, afirmou o gerente de operações Alexandre Leite.

Além de poluente, o transporte ao aterro sanitário e a armazenagem desse material tem um custo alto. Na condição em que fica não teria nenhuma utilidade até a descoberta feita pelos pesquisadores da Unesp.

Análise de lodo no solo
A pesquisa, feita pela aluna de pós-graduação do curso de ciências biológicas Dânia Elisa Christtofoleti Mazzeo, levou quatro anos para ser publicada.

A aluna misturou lodo ao solo em várias proporções e o enterrou. Depois de um ano, a análise mostrou que a carga tóxica contida no lodo havia desaparecido.

“Todos aqueles defeitos inicialmente encontrados, tanto nas plantas quanto nos peixes, na minhoca, nas células humanas, em leveduras, iam decrescendo. Com 12 meses, na proporção de 50% solo e 50% lodo, esses efeitos não eram mais observados”, afirmou Dânia.

O maior desafio foi trabalhar com o material contaminado. “Esse resíduo tem uma carga tóxica alta, mas ele também tem um conteúdo orgânico muito alto. O nosso desafio foi transformar esse material em um material que pudesse ser reutilizado como fertilizante em agricultura”, explicou a coordenadora do estudo, a pesquisadora Maria Aparecida Marin Morales.

Uso como fertilizante
A meta agora é fazer os últimos testes para descobrir se o lodo pode ser usado como fertilizante nas lavouras. Os estudos começam já no primeiro semestre deste ano.

“Queremos saber se ele realmente vai produzir um benefício na agricultura, aumentar a produtividade agrícola. Então faltam esses testes gerais para que ele possa ser usado”, ressaltou Maria Aparecida.

O produtor rural Euclides Donizeti Altarugio espera que a descoberta possa no futuro baratear os custos. Ele tem uma lavoura de 700 hectares de cana-de-açúcar e gasta o equivalente a R$ 100 mil por ano só com fertilizantes. “Posso aumentar a produção e comprar um trator novo para melhorar a lavoura”, afirmou.

G1


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