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Com proibição da queima, produtores dizem que corte da cana fica inviável

03/03/2014

Mecanização é cara para agricultores de Nova Europa e diminui os empregos.
Segundo o sindicado, pequenos produtores terão que procurar outra atividade.



Os produtores de Nova Europa (SP) estão insatisfeitos com a proibição da queima e do corte manual de cana, que começou no sábado (1º) em todo o Estado de São Paulo. Para eles, a produção se torna inviável, já que uma máquina chega a custar R$ 800 mil e o preço do corte dobraria. Além disso, a mecanização cortou milhares de postos de trabalho.

Segundo a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), nos últimos 10 anos, cerca de 23 mil trabalhadores rurais da região de Araraquara perderam o emprego. Por outro lado, desde que o acordo foi assinado, em 2007, cerca de 20,6 milhões de toneladas de poluentes deixaram de ser emitidos, segundo o Governo do Estado.

“As máquinas hoje são feitas para grandes áreas. Pequeno produtor, aquele que depender de plantar cana em lugar de morro ou áreas muito pequenas, tem que procurar outra atividade porque vai ficar inviável”, falou o presidente do Sindicato Rural de Araraquara, Nicolau Freitas.

A medida faz parte de um protocolo ambiental assinado em 2007entre o setor canavieiro e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente para eliminar a queima em áreas onde a colheita pode ser mecanizada.

Mão de obra
A mecanização também deve mudar o perfil da mão de obra no campo. Cada máquina corta cerca de 600 toneladas de cana por dia e faz o serviço de 100 pessoas, fato que contribuiu para a queda dos postos de trabalho. Os trabalhadores deveriam ter se adaptado a outros postos, o que não ocorreu, segundo o presidente da Feraesp, Élio Neves.

“O processo de mecanização não foi e não está sendo ao mesmo tempo acompanhado por um processo de erradicação do analfabetismo, elevação de escolaridade, requalificação profissional e aí o que você tem? Uma grande massa de trabalhadores e famílias que, ou migraram para fora da região ou estão nas suas cidades perecendo”, analisou Neves.

Na região de Araraquara, 2 mil propriedades têm que se adaptar ao protocolo. Segundo os dados do governo paulista, desde que o acordo foi assinado, mais de 5,5 milhões de hectares de cana deixaram de ser queimados.

Tecnologia
Em uma usina de Nova Europa, a colheita já é toda mecanizada. A empresa investe em tecnologia há três anos. O serviço no campo começa bem longe das lavouras, em um centro de controle onde trabalham profissionais de informática que conhecem todo o processo de produção. Nos computadores, eles programam a área de plantio e da colheita e estudam as curvas de nível.

Com o investimento na agricultura de precisão, diminuíram as manobras das máquinas na roça. “O operador fica livre para observar a qualidade da operação enquanto a própria máquina se direciona no campo”, falou o coordenador de plantio, Mateus Lopes.

Um equipamento com placas solares fornece energia para um transmissor que emite para as máquinas a localização exata da área onde elas vão trabalhar. “Eu aciono o piloto do GPS e só faço as manobras para abastecimento. O trator vai sozinho”, explicou a operadora de máquina Telma Abonízio.

São seis tratores com implementos agrícolas que fazem todas as etapas do plantio. Cada um substituiu 110 trabalhadores. Com as máquinas, a usina resolveu também outro problema, a falta de mão de obra. Segundo o gerente agrícola João Giro Filho, a redução dos custos foi de até 20% com a mecanização.

“Nós estamos plantando hoje em torno de 10 mil hectares por ano, isso equivale a plantar 100 campos de futebol por dia. Agora se a gente tivesse dependendo de um plantio manual, a demanda de mão de obra seria muito grande e a gente não teria isso disponível”, afirmou Giro Filho.

Nem todos os trabalhadores rurais da usina foram embora. Sidnei da Silva é um dos que ficaram. Ele trabalhou durante dez anos no corte da cana e continua na colheita, mas agora vai para a lavoura no conforto de uma cabine com ar condicionado.

“É totalmente diferente porque com o facão tem que trabalhar o dia todo e com esse sol não é fácil, não”, falou o operador de máquina. “Tenho que aproveitar essa oportunidade, não tenho nenhum pouco de saudade da época do facão”, brincou.



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