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Interior de SP realiza 1º experimento do país com laranjas transgênicas

11/03/2014

Fundecitrus, em Araraquara, tem 650 mudas resistentes a pragas em Ibaté.
Esta é a primeira vez que se faz um estudo com o ciclo completo da laranja.



O primeiro experimento com laranjeiras geneticamente modificadas do Brasil está sendo comandado pelo Fundecitrus, em Araraquara (SP), em uma parceria com o Instituto Valenciano de Investigação Agrária, da Espanha. Cerca de 650 mudas resistentes a pragas foram plantadas em uma área de Ibaté (SP). As doenças foram responsáveis pela eliminação de 25 milhões de pés de laranja no Estado de São Paulo, o maior produtor do país nos últimos anos, segundo na Secretaria de Agricultura.

A pesquisa é considerada uma das mais importantes dos últimos anos na citricultura. Exemplares de plantas modificadas geneticamente foram importados para o procedimento. Esta é a primeira vez que se faz um estudo com o ciclo completo da laranja. Os trabalhos anteriores foram interrompidos antes da planta dar frutos ou florescer.

Por medida de segurança, o local onde as mudas estão plantadas em Ibaté é mantido em segredo pelos pesquisadores. O presidente do fundo, Lourival Carmo Monaco, afirma que essa pode ser uma forma facilitar o fim das pragas no estado. “Nós vamos garantir a existência da citricultura e aumentar a produtividade, porque nos interessa que o produtor seja beneficiado e que a sociedade como um todo tenha os benefícios do desenvolvimento de uma cultura como essa”, afirmou.

Gene
Os pesquisadores desativaram um gene da laranja fazendo com que o cheiro que atrai as mocas, por exemplo, não seja mais produzido. “O limoneno é uma substância que a laranjeira tem na parte externa da fruta, que tem o papel de atrair insetos ou pragas e mesmo conferir resistência maior às principais doenças. Na medida que você altera esse metabolismo da fruta ela tem uma maior tolerância a algumas das doenças da fruta e menor repelência ou menor atração à praga”, explicou o gerente de pesquisa e desenvolvimento Juliano Ayres.

A previsão é de que o estudo de campo dure sete anos e meio e as laranjeiras devem começar a dar frutos em 2016. Quando isso acontecer será possível analisar se as plantas transgênicas são resistentes a fungos e pragas, como a pinta preta, e que não atraiam a mosca da fruta que tanto incomodam os produtores. “O objetivo é ter mais laranjeiras em que se possa utilizar menos insumos, e com isso ter uma citricultura mais sustentável ao longo do tempo”, comentou Ayres.

Segundo a Coordenadoria de Defesa Agropecuária, as pragas são responsáveis por boa parte das plantas eliminadas no estado nos últimos anos. “Não existe controle depois que o cancro ou o greening se instalam, são duas bactérias que atacam e depois disso o único meio de controle é eliminando a planta”, afirmou o diretor da coordenadoria, Vicente Paulo Martello.

Produção e vantagens
O número de pés de laranja estão caindo a cada ano. Em 2000, o estado tinha quase 300 milhões e a produção passou de 350 milhões de caixas de 40 quilos. Já em 2013, os pés em produção caíram para 170 milhões e foram colhidos cerca de 286 milhões de caixas.

Acostumados a lidar com as pragas, os agricultores gostaram das novidades sobre o experimento. O citricultor Sérgio Spagnolo, de São Carlos (SP), acredita que a produção deve ficar mais barata. Os gastos com inseticidas e funcionários que aplicam o produto representam 30% dos investimentos. O custo para produzir uma caixa, por exemplo, deve ficar até R$ 4 mais barato. “Uma mutação que motive a diminuição desse consumo de fungicidas vai ser melhor tanto para quem compra como para quem produz”, comentou.

Para o consumidor, a dúvida é sobre o sabor da laranja, que segundo os pesquisadores deverá continuar a mesma, inclusive com os mesmo nutrientes. “Em condições de laboratório pode-se identificar que o sabor da fruta é o mesmo”, disse o gerente da pesquisa.

Supostos danos
Outra questão é que grupos de ambientalistas dizem que os transgênicos causam danos ao meio ambiente. Eles também criticam o fato de que não está provado que os produtos são seguros para o consumo humano e animal.
“Existe a possibilidade de fazer mal tanto para a saúde humana quanto para o ambiente. Teriam que ser feitas pesquisas de mais longo prazo. As que são feitas são de curto prazo e não tem como a gente avaliar exatamente quais os verdadeiros efeitos”, disse a agrônoma Juliana Ortega Smith.

G1



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