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Delegado diz que houve omissão de socorro a aluno morto; empresa nega

14/03/2014

Corpo de estudante da UFSCar estava em vicinal de São Carlos (SP).
Ambulância deixou de socorrer jovem porque transportava outro paciente.



O delegado Gilberto de Aquino, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de São Carlos (SP), disse que houve omissão de socorro ao estudante da UFSCar Sérgio Gonçalves Lima, encontrado morto após sair de uma formatura no dia 23 do mês passado. “Já está claro no inquérito, eu não tenho dúvida disso”, afirmou. O assessor jurídico da empresa Ticomia, que organizou a festa, nega. Segundo Jeferson Daniel Machado, uma ambulância contratada para o evento passou pelo local, mas não pôde socorrer a vítima porque já transportava outro paciente.

“Ambulância verificou a vítima caída no chão e que necessitava de uma remoção imediata. No entanto, não pôde prestar o atendimento porque não haveria a possibilidade de acomodar duas vítimas lá dentro”, explicou o assessor jurídico durante entrevista coletiva nesta quinta-feira (13).

Para o delegado da DIG, não há justificativa. “A vítima poderia ter sido socorrida, só que não foi. Eu acho que quem é da área da saúde está apto a fazer e tinha dois bombeiros civis lá. Acho que eles, sendo responsáveis por aquilo, deveriam prestar um socorro imediato para com a vítima”, disse.

Na segunda-feira (10), A Secretaria de Habitação e Desenvolvimento Urbano de São Carlos lacrou a casa de shows onde ocorreu o evento porque o espaço não possui alvará de funcionamento.

Suspeita
O corpo do estudante de 22 anos foi encontrado com vários ferimentos em uma estrada de terra próximo da casa de eventos onde ocorria a formatura. A DIG investiga o caso como homicídio e os seguranças da festa são suspeitos de envolvimento, entretanto ainda não foi descartada a hipótese de atropelamento.

Mais de 20 testemunhas já prestaram depoimento à policia, entre elas seguranças, manobristas, estudantes e dois taxistas. Para o delegado, ainda não é possível dizer se o estudante foi assassinado ou atropelado.

“Ouvimos alguns manobristas e seguranças que faziam a parte externa do local e eles disseram que viram a vítima na frente do estabelecimento, totalmente embriagada. Tentou pegar um táxi e depois ficou caminhando nas imediações. Um dos manobristas percebeu quando o estudante saiu e se dirigiu a dois casais que estavam postados na frente do estacionamento. O marido de uma das moças teria empurrado a vítima, que teria caído no chão. Depois de três tentativas de se levantar, seguiu a pé sentido à estrada vicinal”, relatou o delegado.

Laudo
O laudo do Instituto Médico Legal (IML) constatou que ele teve traumatismo craniano e hemorragia interna na região lombar dorsal. Aquino ainda espera o laudo da perícia que deve apontar as causas da morte. “Nós temos a informação preliminar passada pelo médico legista, assim como o Instituto de Criminalística, mas ainda não temos em mãos porque não está formalizado”, declarou.

O assessor jurídico avaliou que, pelos indícios, a vítima pode sim ter sido atropelada e que os seguranças não têm culpa pelo que aconteceu. “Acho precipitado da minha parte induzir para atropelamento. Mas a convicção que temos por tudo o que eu disse e até de testemunhas que ainda serão ouvidas é que o formando saiu de dentro do evento andando, íntegro fisicamente, chegando, inclusive, a passar pela portaria. Tive acesso ao depoimento de um dos taxistas que já foi ouvido. Ele mencionou que viu o formando sair caminhando em direção à estrada. Nesse sentindo, nós acreditamos que não houve a participação da equipe organizadora no evento morte. Agora se foi atropelamento ou não quem conduz a investigação é a DIG”, disse Machado.

Testemunhas
Pelo menos um estudante viu quando a vítima se envolveu em uma discussão. “Ele teve um desentendimento com um casal. Aparentemente foi por uma brincadeira de tentar aparecer em uma foto. Uma brincadeira alegre, inocente. O cara ficou irritado, mas não sei se tem a ver com o caso. Não sei se os seguranças marcaram a cara dele. Não tem como acusar ninguém, mas é importante colocar isso”, disse o estudante de educação física Fernando Pagliarini.

Assim que ouviu as primeiras testemunhas, o delegado começou a trabalhar com a hipótese de homicídio, já que em depoimento, estudantes afirmaram que Sérgio foi expulso da festa por seguranças, que seriam os principais suspeitos, segundo a Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Com os depoimentos de dois taxistas no dia 27 de fevereiro, entretanto, o delegado vai ampliar as linhas de investigação.

“Um dos taxistas disse que a vítima chegou a pedir uma corrida, por volta das 3h30, mas desistiu por causa do valor que seria R$ 50. E então, o rapaz voltou a falar com seguranças e ficou ali nas imediações do local”, afirmou. "A segunda testemunha era um taxista que passou pelo corpo e comunicou o manobrista e disse para que ele pedisse socorro", relatou Aquino.

Passeata
Na última segunda-feira, amigos e familiares do estudante da UFSCar fizeram mais uma manifestação na cidade e cobraram respostas da Polícia Civil.

Os pais do estudante, que moram em São Paulo, também marcaram presença e participaram do movimento. A mãe dele, Sueli Gonçalves Lima, fez um apelo. “Se viram algum fato falem, por e-mail, redes sociais, isso vai ajudar muito”, afirmou.

G1



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