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Ator pornô rescinde contratos e vira pastor após "ouvir chamado de Deus"

30/06/2014

Giuliano Ferreira fez 300 filmes eróticos, parou carreira e mora em São Carlos.
Religioso conta sua história em um livro e ainda sonha em vê-la no cinema.



Giuliano Ferreira sempre ouviu de amigos que sua vida renderia um livro. As reviravoltas que levaram um menino com forte formação religiosa a se tornar o maior nome brasileiro no mercado pornô realmente renderiam uma história daquelas. Após ficar desenganado no hospital, o ator com 300 filmes, alguns com estrelas como Rita Cadillac e Mônica Matos, resolveu abandonar a carreira. Rescindiu contratos após vivenciar "uma experiência sobrenatural com Deus".

"Eu estava internado no hospital em coma induzido. Ouvi Deus falando que era para eu parar com tudo e fazer a vontade dele. Depois disso acordei puro. A infecção que tinha tomado conta dos rins e pulmões tinha desaparecido. Nem mesmo os médicos souberam explicar o que aconteceu", relatou.

Hoje, aos 35 anos, é um pacato pastor evangélico que vive em São Carlos (SP). Lançou um livro recentemente, mas tem um sonho ainda maior: quer ver sua história no cinema, repetindo o sucesso do fenômeno Bruna Surfistinha.
"Quero mostrar que é possível parar com tudo e recomeçar do nada. É uma mensagem que vale para todos, desde drogados a criminosos. O livro foi um desabafo. Chegou o momento de eu jogar tudo para fora. Vão ver que um cara que já esteve na pornografia e que também já usou drogas conseguiu vencer”, disse Ferreira, que se notabilizou no mundo pornô com dois nomes artísticos: Juliano Ferraz, para filmes heterossexuais, e Júlio Vidal, para as produções gays.

Striptease e pornografia
A origem humilde fez Ferreira trabalhar cedo. O primeiro emprego foi aos 14 anos, como office boy. Três anos depois, já era pai e estava desempregado. Mas o paulistano observou que a vida é uma “roda gigante” e lhe reservou mais surpresas.

Enquanto buscava emprego no Centro de São Paulo, chamou atenção de um empresário que andava na rua. “Ele disse que eu tinha um corpo vistoso e atlético e que tinha um trabalho para mim. E garantiu que eu ganharia em um fim de semana o que costumava tirar em um mês”, contou.

O então adolescente ingressou no mundo das casas noturnas como striper. Teve uma ascensão meteórica e em menos de um ano já participava de um concurso nacional no Rio de Janeiro (RJ). “Porém, nunca me prostituí. Pelo menos não desse jeito, fazendo programas”, ressaltou.

De dançarino virou modelo de revista, até receber o convite para a primeira participação em um filme. “Era uma cena de baile de carnaval. Estava com vergonha e pedi para colocar uma máscara, pois não queria aparecer. Por incrível que pareça, eu me sobressaí sobre os profissionais, tive uma facilidade muito grande e apareci mais que os ‘rodados’ no meio. Acho que foi fruto da genética, pois nunca tinha feito antes”, lembrou.

Preconceito e mortes
Ferreira frisou que sempre encarnou um personagem nas cenas. Mas, que mesmo assim, foi e ainda é cercado de preconceito. “Acham que eu era daquele jeito na vida real. Criei um personagem e ele era bom, era o cara que fazia as coisas acontecerem. Já tive propostas milionárias para sair com os outros, de até R$ 400 mil. Mesmo agora depois que saí do mundo pornô. Então, isso para mim é preconceito, confundir a pessoa com o personagem, com aquele cara que pensa em sexo 24 horas por dia”, comentou.

O ex-ator cita exemplos de quem já sofreu retaliação por atuar no meio pornô. “Leila Lopes se matou, cara! O Alexandre Frota paga por isso até hoje. E eu conheço várias meninas que se mataram. Tenho uma ex-namorada que era conhecidíssima no meio. Nesses dias, fiquei sabendo que ela também se matou. Tudo por pressão da sociedade. A pessoa é tachada como prostituta, não segura o rojão e acaba pirando. Já soube também de pessoas que se mataram por saber que estavam com AIDS. Houve um dia em que eu quase fiz isso. Estava no auge da carreira, mas tinha saído de uma festa, estava triste, embriagado e drogado. Quase joguei meu carro de propósito no (rio) Tietê”, relatou.

Filmes gays e Viagra
O pastor reclama de ter sido rotulado por participar de filmes para homossexuais. E ressalta que não é bissexual. “Fiz nove produções gays, mas pela proporção que tomou, parece que foram 300. Não havia internet na época. A empresa te chamava para uma gravação na Costa Rica, por exemplo, e dizia que a fita só sairia nos Estados Unidos. Eu tava na chuva para me molhar. Se ganhava R$ 300 por cena com uma mulher, com homens passava para R$ 3 mil. Ganhava dez vezes mais, só que era 100 vezes mais difícil”, recordou, ressaltando que é casado há 12 anos com a mesma mulher.

O mito do prazer fácil nas gravações cai por terra nos relatos de Ferreira. “O verdadeiro prazer não está na carne e sim na cabeça. Fazia sexo com a facilidade com que você (repórter) escreve aí. Mas a cabeça estava em outras situações. No início, não tomava Viagra, até porque era caro. Depois virou praxe. É uma coisa que todos fazem, mas não gostam de assumir”, revelou.

Auge e susto
Entre os anos de 2002 e 2004, Ferreira era o ator mais conhecido do Brasil no mercado pornográfico. Venceu um prêmio latino americano da categoria e, em 2003, fez história ao ser indicado ao AVN, o Oscar do pornô mundial.
Com nome e dinheiro, conseguiu comprar três casas em Ribeirão Bonito (SP). Conheceu o exterior e chegou a morar na Hungria. Também tinha o poder de escolher as parceiras de cena. O último filme gravado foi com Rita Cadillac e Márcia Imperator. E foi nele que o corpo deu um importante sinal de alerta.

“Senti um incômodo no dente, tive um canal. O dente quebrou no dentista. Tive que arrancá-lo e houve uma infecção generalizada. Pegou nos rins e começou a chegar no pulmão. Fiquei cinco dias no hospital, em coma induzido. Foi aí que tive a experiência sobrenatural com Deus”, destacou.

Após sair do hospital, o ator rescindiu dois contratos, um deles internacional. Vendeu uma casa e um carro para pagar as multas rescisórias. Já era casado com a mesma esposa de hoje. “Ela sabia de tudo e nunca me recriminou”, disse.

Recomeço difícil
Fluente em três idiomas, trabalhou em hotéis da região de São Carlos. Nos piores momentos, foi auxiliar de pedreiro e passou por necessidades financeiras, assim como na adolescência.

“Não tirava nem 10% do que ganhava. Minha esposa ganha R$ 1 mil e eu segurava com bicos. É claro que pensei em voltar. Com uma ligação para a Alemanha, conseguiria ganhar R$ 5 mil em um fim de semana. Para frear meu corpo também foi muito difícil. Foi uma luta da carne contra o espírito. Já melhorou, mas é assim até hoje. Uns têm problemas com drogas, outros com comida ou mentira, a minha luta é contra isso, já que era um atleta do sexo”, citou.

Críticas
Ferreira diz que vive atualmente da venda do livro “Luz, câmera, ação e transformação” e que não recebe ajuda de custo da igreja, onde está há dez anos. Aos que o criticam por ter interesse financeiro na religião, ele rebate citando que não virou pastor da noite para o dia. Já foi aulixiar, diácono e presbítero antes de ingressar no pastorado, em 2009.

“Ninguém viu que eu parei no auge da carreira, com 25 anos, bonito, com nome no que fazia e ganhando bem. Rescindi contratos por vontade própria. Tem ator que faz filme com 40 anos e, se eu quisesse, estaria fazendo. Poderia estar rico. Afinal, estou bem de saúde. Quero passar minha história a frente e Evangelho é renúncia. Ser pastor não é uma profissão e sim um chamado”, comentou o pastor da igreja Assembleia de Deus.

Filme
O evangélico se disse preocupado com as fotos e vídeos que ainda circulam facilmente na internet, mas confessa que o controle dessa situação é praticamente impossível. Além de passar sua história em livro, ele também sonha com o cinema. “A Bruna Surfistinha era uma anônima e estourou por causa de uma baita história de vida. Acho que a minha também é interessante e pode ajudar muito as pessoas”, finalizou.



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