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“3% iam para o PT”, diz ex-diretor da Petrobras sobre desvio

09/10/2014

Em depoimento à Justiça Federal, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, contou detalhes sobre o esquema de desvio que beneficiou os partidos PP, PT e PMDB. Em áudios obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo e divulgados nesta quinta-feira (9), ele afirma que 3% do valor de contratos da empresa estatal iam para o PT.

“Todos sabiam que tinha um porcentual dos contratos da área de abastecimento. Dos 3%, 2% eram para atender ao PT, através da diretoria de Serviços”, disse Costa. “Outras diretorias, como gás e energia e produção, também eram PT”, continuou.

“Então, tinha PT na diretoria de produção, gás e energia, e na área de serviços. O comentário que pautava a companhia nesses casos era que 3% iam diretamente para o PT. Não tinham participação do PP, porque eram diretorias indicadas”, completou.

Indicação de Costa foi feita pelo PP
No depoimento à Justiça Federal, realizado na quarta-feira (8) em Curitiba, Paulo Roberto Costa detalhou o esquema em que se envolveu desde sua entrada na Petrobras. Engenheiro mecânico, ele contou que entrou na estatal em 2 de fevereiro de 1977 e que foi nomeado diretor de Abastecimento em maio de 2004 (cargo em que ficou até abril de 2012, quando se aposentou).

Segundo Costa, sua indicação foi feita pelo PP, em decisão encabeçada pelo deputado José Janene (PP/PR), apontado pela Polícia Federal como parceiro do doleiro Alberto Youssef. O ex-diretor ainda frisou que, no governo de outros presidentes que não eram do PT, como José Sarney, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Fernando Collor, as indicações para o cargo também eram feitas com base em interesses políticos.

Repasse de dinheiro para PP, PT e PMDB
No depoimento, Costa afirmou que, quando assumiu o cargo de diretor de Abastecimento, o então presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, tinha conhecimento sobre as escolhas políticas feitas para os cargos de diretor - assim como o presidente seguinte, José Sergio Gabrielli.

De acordo com Costa, o deputado Janene conduziu o esquema até 2008, quando adoeceu - ele morreu em 2010. A partir de 2008, Youssef passou a ser o responsável.

Questionado se recebia parte desses valores da lavagem, Costa admitiu: “sim, em valores médios o que acontecia. Do 1% para o PP, em média 60% ia para o partido, 20% para despesas, às vezes de emissão de nota fiscal e para envio, e 20% restantes eram repassados assim, 70% para mim e 30% para o Janene ou Alberto Youssef”.

“Eu recebia em espécie, normalmente na minha casa, ou no shopping ou no escritório, depois que abri a minha companhia de consultoria”, declarou ele, ao afirmar que a entrega do dinheiro era feita por Janene ou Youssef.

Em relação ao dinheiro repassado para o PMDB, Costa afirmou que a ligação era com a diretoria Internacional - que tinha seu responsável indicado pelo partido. “Então, tinha indicação do PMDB, então tinha também recursos que eram repassados para o PMDB na diretoria Internacional”, disse. “O PMDB era da diretoria Internacional, o nome que fazia essa articulação toda era Fernando Soares (o Fernando Baiano)”, detalhou.

Indagado sobre quem fazia a distribuição do dinheiro em cada agremiação política, Costa afirmou que, no PT, a ligação direta era com o tesoureiro do partido, João Vaccari. “Dentro do PT (o contato) do diretor de serviços era com o tesoureiro do PT, sr. João Vaccari, a ligação era diretamente com ele”.

Transpetro
Segundo Costa, ele recebeu R$ 500 mil em dinheiro vivo das mãos do presidente da Transpetro, Sergio Machado. “Na Transpetro houve alguns casos de repasses para políticos, sim”, afirmou. “Eu recebi uma parcela da Transpetro, se não me engano R$ 500 mil”, continuou ele.

Indagado sobre quando foi realizada a transação, o ex-diretor respondeu: “datas talvez eu tenha dificuldade de lembrar. São muitas, 2009 ou 2010, acho eu por aí. Recebi em uma única oportunidade”. “Qual o motivo?”, perguntou o juiz. “Foi devido à contratação de alguns navios. Essa contratação tinha que passar pela diretoria de Abastecimento, contratação de navios pela Transpetro. Esse valor foi entregue diretamente por ele no apartamento dele (Machado) no Rio”.



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