Descalvado, 17 de Novembro de 2018 Busca:   
Região

Jovem transexual tenta usar banheiro masculino e é agredido dentro de bar

23/01/2015

Episódio ocorreu em estabelecimento de São Carlos, SP, no fim de semana.
Procurado, o proprietário do pub não quis se manifestar sobre a denúncia.



Um jovem transexual de São Carlos (SP) compareceu nesta quarta-feira (21) à Defensoria Pública para relatar um caso de violência. Bernardo Gonçalves afirmou que foi vítima de agressão quando aguardava para usar o banheiro masculino de um pub da cidade na madrugada de sábado (17) e que pretende processar o bar. Procurado pelo G1, o proprietário do estabelecimento não quis se manifestar sobre a denúncia.

“Eu estava na fila quando um sujeito chegou gritando e perguntando se as pessoas tinham genitais femininos ou masculinos e se elas iriam urinar em pé. Eu percebi que era comigo e tentei remediar, disse que todos iriam usar o banheiro e bastava ele ter calma e aguardar sua vez. Ele se ofendeu e começamos a discutir. Quando tentei entrar, ele me puxou. Outros rapazes tentaram impedir a agressão e minha camiseta rasgou enquanto o sujeito tentava me puxar. Quando rasgou, ele me ridicularizou por ter um peitoral feminino. Eu me senti muito envergonhado, mas entrei no banheiro e usei mesmo assim”, afirmou o jovem ao G1.

Bernardo disse que ele e os amigos contaram o caso aos seguranças e que um dos funcionários foi conversar com o agressor. Indagado, o homem afirmou que não aceitava o uso do sanitário masculino e o segurança emitiu a mesma opinião. “O segurança concordou com ele, disse que eu deveria me colocar no meu lugar e que se nasci mulher deveria me contentar com isso. Eu o questionei sobre as leis de proteção a pessoas transexuais, e ele me disse que conhecia muito bem a lei e que o estabelecimento não era obrigado a respeitar a minha atitude. Eu disse que ele precisava estudar mais e ele perguntou se eu queria medir forças com ele”.

O rapaz contou ainda que a companheira do agressor entrou na discussão e usou palavras vulgares para definir suas partes íntimas. “Me senti extremamente humilhado. Eu e meus amigos sempre frequentamos esse local e nunca fui destratado. Eu sempre passo por situações constrangedoras, meus médicos dizem para ressaltar minha identidade, mas geralmente isso significa ser vítima de perguntas indelicadas e comentários grosseiros”, desabafou.

Ele disse que foi a primeira vez que foi maltratado por tentar usar um banheiro e que não foi procurado pela direção do estabelecimento para um pedido de desculpas. “Recebi um pedido para apagar o post do Facebook contando o que aconteceu e uma ameaça de ser responsabilizado pelo prejuízo do bar após o lamentável ocorrido”.

No post, Bernardo escreveu o que aconteceu depois da agressão e o porquê de divulgá-la. "Deixei para chorar na minha casa, e coloquei a camiseta rasgada na minha parede, como lembrete de que não existe conquista sem uma boa luta. Eu não estou expondo isso por mim. Estou expondo isso porque essa luta não é só minha. Porque é a minha realidade e a de milhares de pessoas com a mesma condição de gênero que eu. Milhares de pessoas limitadas somente ao seu órgão genital. Pessoas que são vítimas de um ódio sem fundamento. Hoje foi a minha vez de virar estatística".

Ações
Juntamente com representantes da Divisão de Políticas para Diversidade Sexual da Prefeitura e da ONG Visibilidade LGBT, Bernardo foi à Defensoria para pedir a penalização administrativa do bar e, principalmente, que os funcionários do estabelecimento passem por uma capacitação.

“Tentamos contato com o proprietário do bar, convidamos para um diálogo e ele não compareceu. Fomos à Defensoria para notificar o estabelecimento. A lei garante o direito à identidade e o bar feriu esse direito. Houve dano moral”, disse a chefe da divisão, Ângela Lopes de Almeida.

Ela reforçou que o curso é necessário porque apenas a penalização não educa e que algumas situações ocorrem por falta de conhecimento. “Outras vezes, é por intransigência e preconceito mesmo, resistência, aversão ao fora do padrão”.

Lei
Em uma nota de repúdio publicada em seu perfil no Facebook após o episódio, a ONG Visibilidade LGBT fez questão de ressaltar a Lei Estadual 10.948, de 2001, que pune a homofobia de qualquer tipo com penalidades que variam de advertência e multas à cassação de licença dos estabelecimentos, e incentivou a prática da denúncia, assim como Ângela.

“A lei brasileira não criminaliza especificamente a homofobia. Os casos entram na esfera administrativa, e não na criminal. Mas a discriminação, em si, é crime. Se você foi vítima, faça o boletim de ocorrência”, afirmou, comentando ainda que a divisão acolhe denúncias e oferece apoio psicológico.


G1



Voltar




 
















Notícias
Descalvado
Câmara Municipal
Esporte
Notas Policiais
Região
Brasil e Mundo
Geral
Música
Fotos
Canais
Conheça Nossa Cidade
Boca no Trombone
Horóscopo do Dia
Previsão do Tempo
Guia Rodoviário
Política Agora
Blogs e Colunas
Cozinhando com Aline
Marcos Felipe Chiaretto
Mexa-se
Utilidade Pública
Farmácia de Plantão
Balcão de Empregos
Notas de Falecimento
Guia Comercial
Consulte Multas
Interativo
Fale Conosco
Sugestão de Matérias
Anuncie no Descalvado Agora
Empregos
Fale Conosco
Descalvado Agora 2009-2018 - Todos os direitos reservados