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Polícia Civil investiga a relação entre suicídios de jovens e "jogo da asfixia"

31/03/2015

Nos últimos dias, polícia registrou três mortes na região de São Carlos, SP.
SSP afirma que, por enquanto, não há indícios que comprovem a prática.



Delegados de cidades da região de São Carlos (SP) investigam suicídios de garotos de 13, 14 e 18 anos e a possibilidade de os episódios estarem relacionados ao “choking game” ou “jogo da asfixia”, em que os praticantes interrompem propositalmente o fluxo de ar com as mãos ou com objetos para induzir desmaios, tontura ou estado de euforia, podendo provocar danos cerebrais e a morte.

O primeiro caso ocorreu em São João da Boa Vista no último dia 15, quando um menino de 13 anos foi encontrado enforcado na chácara onde vivia com a família. Dois dias depois, outro garoto, de 14 anos, também foi encontrado enforcado em casa, em São José do Rio Pardo, e, no dia 18, a polícia de Aguaí registrou a morte de um rapaz de 18 anos nas mesmas circunstâncias.

“Estamos com o celular dele para analisar o Facebook e o WhatsApp e verificar se há relação com as outras vítimas. O ´choking game´ é uma das linhas de investigação, mas não é a única”, disse a delegada Márcia Serpa Ferreira de Lima, responsável pela investigação em Rio Pardo.

Em São João, o “jogo” também é uma das hipóteses em análise. “Aguardamos algumas autorizações judiciais para dar andamento às investigações”, afirmou o delegado Márcio Elias Siqueira Azarias.

Ele acredita que as ocorrências em São João e Rio Pardo possam estar relacionadas e trabalha em parceria com Márcia. Também não descarta a ligação com Aguaí, embora as chances, para ele, sejam menores pelas diferentes circunstâncias e perfis.

Para a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP), até o momento não há indícios da relação entre as mortes e o "choking game".

Medicina
Segundo o pediatra José Luiz Setúbal, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, a prática é mais comum entre adolescentes e jovens adultos e seu maior risco é a morte.

"A pessoa utiliza uma corda ou cinto para comprimir o pescoço e isto faz com que o fluxo de sangue para o cérebro diminua. Este procedimento pode causar uma sensação de euforia e aumentaria o prazer quando usado com drogas e em relações sexuais. O risco está em perder a consciência e acabar se enforcando", afirmou ao G1.​

Também há riscos de lesão cerebral se o fluxo for interrompido por muito tempo e por conta de quedas, com contusão e fraturas, em caso de desmaio.

O pediatra contou que, em 2014, leu um artigo sobre a prática na revista Pediatrics e que passou a buscar informações. "No Hospital Sabará não temos registro de nenhum caso", afirmou, "mas vários adolescentes a quem perguntei já tinham ouvido falar".​

Psicologia
Professora do Centro Universitário de Araraquara (Uniara) com mais de 20 anos de experiência no atendimento a adolescentes, a psicóloga Gabriela Chakur contou que a literatura e a prática demonstram que ações drásticas são comuns nessa fase da vida.

"Há os transtornos de imagem corporal, como anorexia e bulimia, e casos de adolescentes que se cortam, por exemplo. Entendo que esse "jogo" seria um desdobramento. A adolescência é muito caracterizada pelo imediatismo, pelos jovens acreditarem que não vai acontecer com eles, pelo mito da eterna juventude".

Também é uma fase de distanciamento dos pais, o que pode dificultar a percepção de que os adolescentes passam por problemas. "É comum eles se afastarem, mas mesmo assim é preciso manter o diálogo, o contato afetivo", recomendou.

Choking game
Não há uma data precisa para o início da prática, mas um artigo publicado em 2008 pelo Centers for Disease Control and Prevention, dos Estados Unidos, mostrou que 82 jovens de 6 a 19 anos, em sua grande maioria meninos, morreram no país entre 1995 e 2007 em decorrência do "choking game". No texto, os especialistas enfatizavam que pais e educadores deveriam se familiarizar com os sinais de alerta de que os jovens estavam aderindo à prática.

Em 2012, um em cada 16 adolescentes norte-americanos já havia praticado o "choking game", segundo levantamento divulgado pelo jornal Daily Mail e pela Agência Reuters, e um dos casos mais conhecidos no país é o de Erik Robinson. O garoto morreu em 2010, aos 12 anos, e hoje dá nome à fundação criada por seus pais para divulgar os riscos do "choking game".

A WildfarmKids, criada por KeriGlenn após a morte de seu irmão mais novo, Joshua Leo, em novembro de 2011, também reúne orientações e casos de famílias que perderam membros para o "jogo". "A perda do meu irmão mudou completamente a minha vida e eu não quero que outra família passe pelo que minha família e eu passamos", escreveu a jovem no site.



G1



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