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USP pesquisa preferência de homens e mulheres sobre depilação feminina

02/06/2015

Estudo vai traçar perfil de mulheres e avaliar relação com opinião masculina.
Objetivo é análise a respeito de aspectos clínicos e comportamentais.



O que a escolha do tipo de depilação genital pode revelar sobre a saúde e o comportamento da mulher? Uma pesquisa desenvolvida pelo Ambulatório de Estudos em Sexualidade Humana AESH, no campus da Universidade de São Paulo USP de Ribeirão Preto SP, quer trazer a resposta para esse tipo de questão.

Por meio de um questionário disponível na internet, pesquisadores da universidade pretendem traçar o perfil de homens e mulheres em relação à preferência do tipo de depilação, e analisar se tal escolha, no caso das mulheres, exerce algum tipo de influência no comportamento sexual e em eventuais sintomas clínicos.

O estudo
Segundo a pesquisadora Maria Luiza Prudente de Oliveira, o estudo surgiu a partir da observação de que a depilação genital é uma prática cada vez mais comum entre mulheres.

"Hoje em dia quase todas as mulheres fazem depilação. A tendência estética, a crença na melhoria da higiene genital ou a preferência masculina parecem influenciar essa prática. Queríamos saber qual a motivação, e concomitantemente, a gente pensou em saber se a preferência masculina responde um pouco a isso", explica.
No questionário, disponível desde maio na internet, as mulheres respondem a 22 questões sobre orientação sexual, tipo de depilação preferido, frequência e satisfação sexual, entre outras. Já os homens respondem a 12 perguntas, também presentes na lista feminina. "Perguntas referentes à técnica de depilação, local e método contraceptivo utilizado foram feitas só para as mulheres", afirma Maria Luiza.

Não é preciso se identificar para responder as questões e as perguntas ficarão disponíveis na web por seis meses. O objetivo, segundo Maria Luiza, é conseguir ao menos mil homens e mil mulheres para então iniciar a análise dos dados.

"Queremos observar, por exemplo, se existe correlação entre grau de escolaridade, idade, orientação sexual, tipo de relacionamento. E analisar também a função sexual, tanto dos homens quanto das mulheres. O que é esperado como hipótese do trabalho é que exista uma confluência entre a preferência masculina e feminina", diz.

Saúde
Outro aspecto a ser analisado é a possível relação entre saúde e depilação. Segundo a pesquisadora, não há muitos estudos científicos sobre o tema. "Existem várias hipóteses de que o pelo é proteção, ou de que em compensação, pelo demais, em um ambiente tropical, prejudica a ventilação. Acreditamos que os resultados dos questionários nos mostrem que há certa diferença, dependendo do tipo de depilação, para a parte clínica", explica.

O grande diferencial esperado na análise dos questionários diz respeito à idade dos participantes. De acordo com Maria Luiza, é possível que a diferença de idade influencie no gosto pela depilação. "A curiosidade é: homens mais jovens, da geração filme pornô, preferem mulheres completamente depiladas? Porque é isso que aparece nos filmes. E homens mais velhos, preferem a mulher parcialmente depilada, já que na época deles a sexualidade era uma coisa mais velada?", questiona.

Na prática
Nos salões de beleza, quem trabalha diretamente com estética é categórico ao dizer que a idade é um dos fatores que mais influenciam no tipo de depilação adotada. Segundo a esteticista Thaís Amorim Ferreira, de 23 anos, mulheres mais jovens preferem a depilação completa, enquanto as mais maduras optam por retirar menos pelos.

"Mulheres até uns 25, 30 anos, costumam tirar tudo. Não deixam um pelo sequer. Já as senhoras tiram bem pouquinho, só a virilha simples. É muito raro uma senhora pedir para tirar tudo. Uma vez fiz depilação completa em uma delas e ela estranhou porque nunca tinha tirado, achou aquilo vulgar. Elas são mais recatadas", conta.

Questões de higiene e preferência do parceiro também contam na hora da escolha da depilação, segundo Thaís. "As meninas novas dizem que preferem depilar tudo porque acham mais higiênico, não gostam de pelo quando menstruam. Outras já fazem para agradar o parceiro. Dizem, por exemplo: ai, ele gosta que fica um fiozinho, eu já não gosto. Mas acabam fazendo por eles também", diz.

Há mais de 20 anos no ramo, a esteticista Iraci Aparecida Faustino dos Reis, de 35 anos, também atribui a mudança nos tipos de depilação ao lugar que a mulher ocupa atualmente na sociedade. "O comportamento da mulher foi mudando ao longo do tempo. A depilação ficou mais ousada. Antigamente tirava-se só por conta do biquíni. Hoje é mais por higiene, preferência com o parceiro. Evoluiu bastante", afirma.

G1



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