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Solstício de Verão, Solstício de Inverno e a Relação com a Reprodução dos Peixes

23/12/2015

Nesta semana tivemos, aqui no hemisfério sul, o maior dia do ano. É um pouco mais comum acontecer no dia 21 de dezembro, porém, neste ano de 2015 aconteceu em 22 de Dezembro. Apesar do dia exato mudar de ano pra ano, já que a órbita elíptica da terra não divide os anos em número iguais de dias [ano bissexto], podemos afirmar que isto é algo bem estático e extremamente preciso. O dia, a hora e o minuto exato que isto acontece é determinado por meio de cálculos de astronomia.

A partir do dia 23/12 a quantidade de horas de luz dos dias passa a diminuir bem lentamente [coisa de 1 segundo por dia] até o menor dia do ano [solstício de inverno 21 ou 22/06]. Uma observação importante: no caso do hemisfério norte [EUA e Europa, p.ex.] é o inverso. E, na linha do Equador, os dias possuem exatamente 12 horas de luz e 12 horas de escuro ao longo do ano.

Nos humanos que vivemos sob efeito de luz artificial e praticamente nem percebemos esta alteração do tamanho do dia, o solstício de verão e de inverno representa apenas o início de duas estações: verão e inverno, respectivamente. Entre os solstícios de verão e inverno há o os equinócios. Equinócio é quando o tamanho do dia é exatamente igual o tamanho da noite. E aí temos o equinócio do outono [20 ou 21 de março] e o equinócio da primavera [23 ou 24 de setembro]. O equinócio de outono é quando as noites passam a ficar maior que os dias, enquanto o equinócio da primavera é quando os dias ficam maiores que a noite.

Conforme já dito, nos humanos que vivemos sob o efeito de luz artificial praticamente nem percebemos isto. Porém, para os animais e vegetais isto faz toda a diferença.

No caso de peixes e demais organismos aquáticos, a quantidade de horas de luz do dia aliada com a temperatura da água representam os dois principais fatores que controlam o chamado “relógio endógeno” dos animais aquáticos. E, especialmente, ditam a ritmicidade das atividades reprodutivas ao longo do ano.

Entender e compreender este comportamento da quantidade de horas de luz dos dias ao longo do ano é algo relativamente simples, porém, de extrema importância para quem trabalha com organismos aquáticos, seja para produção ou conservação.

Independente da água do rio estar suja ou limpa, por exemplo, os peixes possuem receptores de luz e glândulas específicas para capturar e “processar” estes sinais da natureza. Então, teoricamente, a partir do dia 21 de junho, quando a quantidade de horas de luz dos dias passam a aumentar gradativamente, inicia-se a preparação dos peixes para a próxima estação reprodutiva. A partir do equinócio da primavera, quando então os dias passam a ficar maior que as noites, a preparação para a reprodução fica mais acelerada. Além do efeito da luz ser mais decisivo, os peixes ganham um importante aliado: a temperatura.

A combinação de aumento da quantidade de luz + aumento da temperatura da água deixam nossos peixes preparados para a reprodução. É quando dizemos que os peixes estão com as gônadas [ovários e testículos] maduras. Mas isto ainda não é suficiente para a reprodução. Falta um terceiro e decisivo estímulo: a chuva! De preferência, as fortes chuvas. Quando chove intensamente os rios pegam volume de água e aí então os peixes começam o processo de migração. Neste processo migratório os peixes precisam nadar muito para queimarem energia e produzirem ácido lático. O mesmo que nós humanos produzimos após um exercício físico intenso. Para os peixes, este ácido lático atuará como um precursor, ou seja, uma espécie de ativador da glândula chamada hipófise. Quando esta glândula começa a receber ácido lático ela começa a liberar os hormônios gonadotrópicos, os quais são responsáveis pela liberação dos óvulos por parte das fêmeas e espermatozoides por parte dos machos.

Então, esta semana do dia 21/22 de Dezembro é onde ocorre o pico da piracema quando, teoricamente, os peixes estão mais preparados para a reprodução. Porém, este ano, apesar das chuvas acima da média e o aparente retorno da normalidade do nível do rio, ainda não foi observado à chegada de grandes cardumes em Cachoeira de Emas. Há duas explicações para isto: primeiro pode ser devido a piracemas pouco eficientes nos anos anteriores por causa da seca, o que pode ter implicado na redução da quantidade de peixes no rio. E segundo, que devido ao bom volume de água do rio e as altas temperaturas desde o início da primavera os peixes já estão se reproduzindo antes mesmo de chegarem em Cachoeira de Emas.

Além do mais, apesar de dominarmos alguns aspectos teóricos, a natureza ainda é mais sábia que nós. E estamos apenas na metade da estação reprodutiva. Portanto ainda há uma grande expectativa da subida de grandes cardumes, já que a previsão continua sendo de muita chuva para este verão. Enfim, literalmente, há muita água pra passar debaixo da ponte de Cachoeira de Emas e, com as bênçãos do nossa Pai Eterno, muito peixe também.

Fábio Sussel
Pesquisador Científico APTA – Cachoeira de Emas

http://www.reporternaressi.com.br/noticia.php?noticia=11861



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