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Anhanguera concentra maioria dos roubos de carga em rodovias de SP

13/08/2011

Nos seis primeiros meses deste ano foram registrados 130 casos

A Rodovia Anhanguera, que liga a capital paulista ao norte do estado, é a estrada que concentra o maior número de roubos de cargas em São Paulo. Segundo levantamento do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp), no primeiro semestre deste ano foram 130 casos, o que representa 17,69% do total das 735 ocorrências registradas nas rodovias que cortam São Paulo.

Segundo as polícias Civil, Militar Rodoviária e Rodoviária Federal, a Anhanguera é visada pelos ladrões de carga pelo fato de ser um dos corredores financeiros do Brasil, interligando cidades importantes como São Paulo, Campinas, Ribeirão Preto e Franca. Além disso, possui estradas secundárias, usadas pelos criminosos para a fuga. O levantamento feito pelo sindicato e obtido pelo G1 foi baseado em informações da Secretaria da Segurança Pública.

Vítimas das quadrilhas de criminosos que atacam nas estradas paulistas relataram momentos de tensão durante os ataques. Em março deste ano, um motorista que não quis ter o nome divulgado chegou a ser perseguido por criminosos e fechado no Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. Obrigado a parar no acostamento, foi abordado por uma quadrilha e assaltado. “Os criminosos saíram armados, apontaram a arma em minha direção e me pegaram. Durante o tempo em que fui mantido refém, ouvi intimidações e ameaças de morte, mas nenhum objeto meu foi levado. Eles só queriam mesmo as mercadorias dentro do veículo”, disse.
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Percentualmente, o Rodoanel foi a rodovia que teve maior crescimento de roubos entre as demais estradas. De janeiro a junho de 2010, o número de casos foi de 14; neste ano, no mesmo período, foram 25 – aumento de 11 registros ou 78,6%.

Comparativamente, no mesmo período de 2010, a rodovia com mais crimes, segundo o sindicato, havia sido a Régis Bittencourt, com 155 roubos, seguida pela Via Dutra (116) e Anhanguera (84). A mudança do ano passado em relação a este ano se deve ao critério adotado para compilar os dados.

“O que mudou foi realmente o critério de registro dos roubos. Dessa vez, os saques foram diferenciados, o que não ocorria até o ano passado. Na Régis, por exemplo, há saques nos congestionamentos e tombamentos. Nesse caso, dos roubos de carga, a maioria foi por causa de saques, e não assaltos à mão armada. Por isso houve essa mudança”, disse Paulo Roberto de Souza, assessor de segurança do Setcesp e coronel da reserva do Exército.

Tipos de carga

Produtos alimentícios são o tipo de carga mais roubada. Dos 3.345 casos de assaltos a veículos de transporte de carga registrados pelo Setcesp nos seis primeiros meses de 2011, 834 eram de alimentos. Esse tipo de carregamento foi também o mais visado pelas quadrilhas no mesmo período do ano passado (912 dos 3.477 crimes registrados no período em todo o estado).

Apesar de os produtos alimentícios terem sido mais roubados de janeiro a junho deste ano, o tipo de carga roubada que teve maior crescimento percentual foi o de eletroeletrônicos. No primeiro semestre de 2010, foram 431 roubos desse tipo de produto. Já no mesmo período de 2011, 574 ocorrências foram registradas, o que dá um aumento de 143 casos, ou 33,2%.

Em valores, eletroeletrônicos representam mais de um terço do prejuízo causado pelos ladrões. O roubo de carga causou perda de R$ 148 milhões a empresas apenas nos seis primeiros meses. Desse total, mais de R$ 51,3 milhões eram produtos eletroeletrônicos.

Caminhoneiros também relataram ter sido abordados pelos assaltantes durante a noite, quando costumam parar em postos de combustíveis para descansar. Os criminosos cercam o caminhão, batem na porta do veículo e rendem o condutor.

Escolta armada

Uma das medidas utilizadas por empresas que atuam em regiões de risco é a utilização de escolta armada. Os entregadores saem com um carro extra que os acompanha para proteger e evitar os assaltos.

Em junho deste ano, a transportadora onde trabalha o gerente Felipe Cunha pediu escolta por conta do alto valor da carga e da maior visibilidade que ela tinha. “Tínhamos uma entrega lá na Brasilândia [Zona Norte de São Paulo] com uma carga bastante visada: televisão, notebook e vários eletrônicos. Aí, tivemos que usar a escolta”, disse Felipe.

Ele relatou que já houve casos em que os assaltantes abriram os pacotes e levaram somente aquilo que lhes interessava, na maior parte, eletrônicos. Segundo o entregador, os assaltantes não querem roubar os pertences dos entregadores. O foco deles é a mercadoria dentro dos veículos. Após o assalto, os automóveis são abandonados ou até mesmo devolvidos. O motorista que foi escoltado disse que a experiência foi “positiva”. “Foi boa, me senti seguro. Sem isso, é complicado ir para lá”, afirmou o homem, que pediu para não ser identificado.

Polícias

Segundo as polícias, o número elevado de roubos nas rodovias se deve ao fato de as estradas terem tráfego intenso de cargas. O delegado Waldomiro Milanesi, coordenador do programa Pró-carga, que visa a prevenção e redução de furtos, roubos e apropriação indébita de cargas, o raio de ação das quadrilhas geralmente não ultrapassa a distância de 150 km da capital.

“As pessoas precisam ter um respaldo, toda uma logística para desmontar o equipamento [bloqueadores de sinal de rastreadores], tirar a mercadoria e já imediatamente locar o espaço onde a receptação será feita. Isso ocorre por causa de grande concentração de mercadorias circulando e até de distribuição nesta região”, disse o policial.

Para combater esse tipo de crime, as forças policiais têm equipes especializadas em abordagem de cargas roubadas. “Elas equivalem à Rota [Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar] da capital. Têm um armamento mais pesado para lidar com esse tipo de quadrilha”, disse o capitão da Polícia Militar Robinson Pomilio, comandante da 1ª Cia do 4º Batalhão de Policiamento Rodoviário. O oficial acrescentou que o reforço ao combate ao crime deu resultados, com maior número de apreensões nas estradas estaduais.

Segundo a Polícia Rodoviária Federal em São Paulo, responsável pelo patrulhamento em vias federais como a Régis e a Via Dutra, há diariamente um combate intenso aos roubos de carga. “Mas é necessário também uma conscientização do motorista”, disse o inspetor Edson Varanda, chefe da comunicação social da PRF em São Paulo.

O policial recomendou aos caminhoneiros que evitem dar carona e parem apenas em locais seguros, como postos de combustíveis movimentados e com segurança. “A maior parte dos roubos acontece quando o veículo está parado. O bandido depende de uma logística muito grande para fazer uma abordagem em movimento.”


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