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Polícia Civil investiga venda ilegal de túmulos em cemitério de São Carlos

12/04/2013

Mãe foi visitar o túmulo de três filhos e descobriu que ele havia sido vendido.
Há oito anos, ex-administrador foi exonerado e indenizou famílias pelo crime.


A Polícia Civil de São Carlos (SP) abriu inquérito nesta quinta-feira (11) para investigar a venda clandestina de túmulos no Cemitério Nossa Senhora do Carmo, o maior da cidade. Um casal de Ribeirão Preto denunciou que não encontrou a sepultura dos três filhos e descobriu que eles estavam enterrados em outro local. Há oito anos, um ex-administrador foi exonerado e condenado a indenizar famílias por venda de túmulos e desvio de taxas. Ele negou envolvimento no caso.

A representante comercial Solange Maria Dias veio a São Carlos para visitar o túmulo dos filhos, mas teve dificuldade para encontrar e pediu ajuda. “Eu falei, será que eu to enganada? olhei, perguntei para um pedreiro e ele falou que era aquele mesmo. Voltei na administração e pedi que ela mandasse um funcionário para vir comigo ao local. Ele veio e falou que era ali mesmo, mas foi vendido”, disse.

Os filhos de Solange eram todos bebês quando morreram. Um menino com uma doença congênita, outro que teve uma gripe forte aos dois meses de vida e uma menina que morreu no parto. Um funcionário da administração confirmou que eles deveriam estar ali, mas havia um outro túmulo no lugar.

A sepultura nova estava vazia, mas já tinha o nome de uma outra família. “Pelo espaço que eles fizeram, pegou mais que um túmulo”, disse a aposentada Regina Santos, avó das crianças.

O pedreiro Otacílio Gianotti, que trabalha há mais de 30 anos no cemitério, disse que foi ele quem construiu o novo túmulo e sabia onde estavam as crianças. “Eu estava aqui limpando tijolo, vi a criança. Uma dentro do vidro e o resto não tinha mais nada, só os paninhos”, disse.

A Polícia Militar foi chamada e Gianotti apontou um lugar, entre duas sepulturas, onde as crianças foram enterradas clandestinamente. No local, foram descobertas quatro ossadas, sendo uma de um adulto. As outras três foram reconhecidas pela família pelas roupas dos bebês.

Na ala infantil do cemitério, onde só crianças poderiam ser enterradas, a reportagem do Jornal Regional flagrou túmulo também de adultos, como de um senhor que morreu aos 75 anos. A administração não descartou que eles tenham sido vendidos ilegalmente.

O coveiro Luiz Roberto Benedito da Silva disse que sabia do comércio ilegal e disse que o antigo administrador do cemitério foi afastado por esse motivo. “[Vendia] os grandes por R$ 1 mil, só que ele não passava para a Prefeitura, ficava para ele”, afirmou.

O ex-administrador Paulo Roberto Damin foi exonerado em 2005. Além das vendas ilegais, ele era suspeito de desviar dinheiro das taxas de sepultamento. Damin foi condenado por improbidade administrativa em primeira instância. Ele recorreu e a sentença foi confirmada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), em 2011. Ele pagou indenização às famílias que tiveram as sepulturas violadas.

Damin disse que, quando assumiu o cargo em 2001, foi obrigado a fazer a desapropriação de túmulos simples, ainda na terra, para garantir novos sepultamentos. Sobre as novas denúncias, ele negou ter alterado qualquer túmulo pronto.“Quem fez isso tem que pagar. Eu não aceito um negócio desses na minha vida”, lamentou a mãe dos bebês.
O pai das crianças, o funcionário público Marco Aurélio dos Santos, cobrou providências. “Aqui tem que ter uma administração para poder regularizar isso, para que não volte acontecer novamente”, afirmou.

Investigação
A Perícia Técnica recolheu os restos mortais para um exame de DNA. “Só temos denúncia desse aqui, mas se a gente tiver conhecimento de mais alguma coisa, evidentemente a gente vai apurar do mesmo modo”, disse o delegado Maurício Dotta.

De acordo com a Polícia Civil, o crime de violação de sepultura pode resultar em pena de um a três anos de prisão.

Prefeitura
A assessoria de imprensa da Prefeitura de São Carlos informou que a denúncia é um dos casos das irregularidades descobertas em 2005, mas que só foi apresentado aos familiares agora. Ainda segundo a assessoria, existem vários processos administrativos e uma sindicância em andamento.


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