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UFSCar e Unesp criam material que elimina quatro vezes mais bactérias

06/05/2013

Descoberta também destrói fungos que causam infecções, como Cândida.
Novo processo de síntese originou composto importante para a ciência.


Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram um material com grande capacidade de matar bactérias e fungos. A descoberta trará benefícios a diversas áreas, como saúde, meio ambiente e eletrônica.

"Ele degrada substâncias orgânicas, pode ser usado para despoluir rios”, afirmou Elson Longo, coordenador da pesquisa e professor do Departamento de Química da UFSCar.

Após quatro anos de estudos, os pesquisadores sintetizaram o tungstato de prata utilizando um novo processo que resultou em um composto com propriedades bactericida, fungicida, fotoluminescente e fotodegradante.

“Existem vários compostos e de acordo com a síntese você descobre propriedades diferentes dele. O tungstato de prata já existia e tinha sido sintetizado por processos clássicos. Nós sintetizamos por um processo totalmente diferente, o hidrotermal assistido por microondas”, explicou Longo.

Importância
A descoberta tem grande importância na área científica e foi destaque na revista britânica "Scientific Reports – Nature", uma das principais publicações do ramo. O artigo dos pesquisadores brasileiros está entre os dez mais lidos, na área geral de ciência, e é o segundo mais lido na categoria de materiais, pela comunidade científica mundial.

O novo material, originário da prata, atua no metabolismo da bactéria e impede que ela se desenvolva. "Ele não mata e depois a bactéria volta, ele continua matando. É de terceira geração bactericida, é outro nível de matar de bactérias", explicou Longo.

A pesquisa prevê ainda outras aplicações para o material, que, por exemplo, se for misturado a tintas, pode garantir que paredes de hospitais, e demais locais, estejam definitivamente livres de bactérias e fungos, como a Cândida, que causa infecções nos seres humanos.

"Também pode ser usado como sistema de descontaminação de água, filtros de hospitais e de residências, embalagens, para que não cresça bactérias, e secador de cabelo, para matar as bactérias e elas não irem para a cabeça da pessoa, entre outros", contou Longo.

Segundo o coordenador do estudo, a pesquisa ainda pretende avaliar melhor as propriedades do material artificial, que passará a ser desenvolvido em escala semi-industrial para novos testes e, pela sua grande eficácia, pode se tornar comercial em poucos meses.

“É uma nova forma de fazer um produto para a sociedade. Vai ser uma arma muito poderosa para destruir bactérias", concluiu Longo.

G1


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